Pastoreio do gado ameaça caniço e recursos pesqueiros em Malamba

O avanço do pastoreio do gado está a reduzir as áreas de caniço em Malamba-Mazuene, no distrito de Vilankulo. Moradores dizem que os animais arrancam a vegetação pela raiz, dificultando a sua regeneração e colocando em risco um habitat importante para espécies como o peixe-preto e o camarão.

O problema chamou a atenção do Grupo de Vídeo Comunitário de Malamba-Mazuene, que decidiu produzir um vídeo para sensibilizar a comunidade sobre a necessidade de proteger as áreas de caniço.

Segundo os moradores, o gado é levado para estas zonas à procura de alimento e, ao alimentar-se, arranca o caniço pela raiz. Com a repetição deste processo, a vegetação tem cada vez mais dificuldades para voltar a crescer.

Para Rafael Matsovele, pescador e fonte do vídeo comunitário, o caniço tem um papel importante na protecção da costa, sobretudo por ajudar a reduzir os efeitos dos ventos fortes. A vegetação também serve de habitat para espécies como o peixe-preto e o camarão, criando condições para a sua reprodução.

“A comunidade deve se unir para proteger as áreas de caniço”, defende Matsovele.

O pescador propõe que sejam realizadas reuniões comunitárias para discutir o problema e que as lideranças locais definam um período em que o gado não seja levado para estas zonas, permitindo que a vegetação se recupere.

Matsovele alerta que o desaparecimento do caniço pode afectar não só o ambiente, mas também a disponibilidade de recursos pesqueiros para as próximas gerações. “Se não fizermos alguma coisa, os nossos filhos e netos poderão crescer sem saber como era o caniço, e a produção do peixe-preto e do camarão continuará a reduzir”, afirma.

A produção do vídeo aconteceu durante uma visita de mentoria ao Grupo de Vídeo Comunitário de Malamba-Mazuene, no âmbito do projecto Raízes Azuis, que é financiado pela GIZ e implementado em consórcio pela MUVA, h2n, PARCO, NATURA, SBV e Ocean Revolution.