“São maningue cenas” foi a expressão que marcou a sessão de conscientização sobre a prevenção do suicídio, realizada hoje (08.09.2026), com os integrantes do Acelerador Juvenil (AJ), das rádios Encontro (Nampula) e Wimbe (Cabo Delgado), orientada pela Psicóloga Clínica Riety Nota, no âmbito do Setembro Amarelo, mês em que o mundo se vira para prevenção e combate do suicídio.
A sessão focou na importância de ouvir sem julgar, na atenção que se deve ter aos sinais e na importância de não ter medo de pedir ajuda. Entre os sinais de alerta Riety Nota sublinhou o isolamento, a irritabilidade, choro fácil, perda de interesse pelas coisas que antes eram gostadas e falas frequentes sobre a morte.
Embora estes e outros sinais sejam pouco discutidos, o suicídio é uma realidade muito comum nas comunidades, talvez por isso, um dos momentos mais marcantes da sessão viveu-se aquando da partilha de testemunhos como o de Joana Águida Sozinho, integrante do AJ da rádio Encontro. “Eu tinha uma amiga que sempre procurava a minha atenção e pedia mais tempo para conversar comigo, mas eu não tinha esse tempo. Agora que aprendi sobre os sinais da depressão, sinto-me mal por não ter dado a devida atenção, vou procurar dar mais atenção a ela e outras pessoas com os mesmos sinais.”
Mais do que os sinais de alerta, Jacinta Mparawanha, integrante do AJ em Pemba, recordou que “é muito importante escolher pessoas que saibam ouvir e apoiar, e não aquelas que apenas julgam”.
No fim, a psicológa alertou que embora a “reflexão seja simples, muitas vezes não conseguimos ver quem está a pedir ajuda sem conseguir dizer que precisa” e por isso incentivou a escuta activa. “Precisamos aprender a ouvir e prestar atenção”.
Riety Nota defendeu também que conversas sobre saúde mental não devem acontecer apenas em Setembro, elas devem acontecer com mais frequência ao longo do ano.
Esta conversa sobre o suicídio entre a Psicóloga Clínica e os adolescentes e jovens do Acelerador Juvenil de Nampula e Pemba fazem parte das actividades do projecto denominado CRP IV implementado pela h2n e financiado pela Embaixada da Nouruega.