“Fome e falta de apoio levam deslocados a regressar às zonas de origem em Cabo Delgado”, diz presidente dos CDAs no âmbito do COESO III

“Muitos deslocados regressam às suas zonas de origem por causa do sofrimento, da falta de apoio e do elevado custo de vida nos centros de acolhimento”, afirmou Bonifácio Halite, presidente dos Comités de Desenvolvimento da Aldeia (CDA) em representação do líder da aldeia de Monono, no distrito de Metuge, província de Cabo Delgado. A declaração foi feita durante uma mobilização comunitária realizada no âmbito do projecto COESO III pela Rádio Wimbe, no bairro de Monono, com foco nas razões que levam deslocados internos a regressarem às suas zonas de origem.

Segundo Bonifácio Halite, as dificuldades sociais e económicas enfrentadas nos centros de acolhimento influenciam directamente a decisão de muitas famílias. O responsável destacou que vários deslocados acabam por regressar não por sentirem segurança, mas por falta de condições para continuar nos locais de reassentamento.

Amina Momade, anfitriã, apontou a fome e as más condições de vida como alguns dos principais factores que empurram os deslocados para o regresso. “Muitas famílias vivem em casas precárias, sem condições dignas de acomodação, tanto nos centros como nas comunidades de acolhimento”, afirmou.

A actividade serviu também como espaço de escuta e partilha de experiências entre membros da comunidade, num contexto em que milhares de famílias continuam afectadas pelo conflito armado em Cabo Delgado.

O COESO III é financiado pela União Europeia em Moçambique e pela Fundação Aga Khan do Reino Unido, e implementado pela Fundação Fundação Aga Khan Moçambique, Associação Progresso e h2n.